“Não deixar ninguém para trás”. Assim reza o lema do acordo das Nações Unidas de 2015, subscrito por mais de 200 líderes mundiais. São três as premissas: erradicar a pobreza, reduzir a desigualdade e cuidar do planeta. Nelas enraízam-se os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), de que damos conta nas páginas deste relatório anual.
Pode dizer-se que ao seu conjunto, empregou-se e emprega-se de corpo e alma ”la Caixa” desde o seu nascimento, há 115 anos, através da sua Obra Social. Foi o trabalho filantrópico do nosso fundador, Francesc Moragas, que o levou a edificar, em 1904 e num contexto social muito complexo, uma entidade alinhada hoje, na sua essência, com os ODS. Estes objetivos são a nossa bússola.
Enlaçam-se também com as principais linhas do Plano Estratégico 2016-2019, que guiou a Fundação em torno da premissa “Mudamos os presentes, construímos futuros”. Este ano culmina com os desafios transformados em realizações: focar os esforços nos programas sociais, multiplicar o investimento em investigação, manter a excelência na divulgação cultural e científica e promover a transformação educativa, entre os mais destacados.
O balanço destes últimos 365 dias é de mais de 50.000 iniciativas que chegaram a mais de 16 milhões de beneficiários. É fruto da colaboração de funcionários, voluntários, entidades sociais, escolas e centros de saúde, entre outros.
“Porque me custa ler?”. A pergunta não é trivial: a dislexia afeta milhares de pessoas. Encontrar uma solução é o porquê de um dos 79 projetos de excelência que este ano receberam o apoio da Fundação ”la Caixa”. Nos últimos anos, o investimento em formação, investigação e inovação triplicou.
Miguel Ángel luta por escrever a sua história. Nasceu no Polígono Sul, um bairro desfavorecido de Sevilha. Graças à ajuda que recebeu do CaixaProinfancia desde pequeno, agora está a concluir Filologia Hispânica, para além de ter recebido vários prémios literários e publicar o seu primeiro livro. O programa constitui hoje um modelo para o desenvolvimento integral e a inclusão social da infância em situação de pobreza. Em 2019, cumpriu com a vontade que se definiu há 12 anos: estar presente em todas as comunidades autónomas.
“Agora tudo é muito mais fácil: tenho uma ocupação, chega-me para viver e sinto-me útil”. São as palavras de Rafaella, uma das beneficiárias do programa Incorpora da Fundação ”la Caixa”, que facilita um emprego a pessoas vulneráveis. Neste caso, em Portugal. E um dos princípios de atuação da entidade é levar a sua ação social aos territórios onde o CaixaBank desenvolve a sua atividade financeira. Em 2019 ampliou-se o orçamento de Portugal para os 20 milhões de euros.
Humaniza é a adaptação à realidade lusa do Programa para o apoio integral a pessoas com doenças avançadas, que este ano comemorou o seu décimo aniversário em Espanha. “Quando não podes dar mais dias à vida, é preciso dar mais vida aos dias”, nas palavras de uma trabalhadora social que faz parte de uma das equipas conjuntas com psicólogos, agentes espirituais e médicos que acompanharam 184.553 pacientes e 250.817 familiares num dos momentos mais frágeis das suas vidas.
Em 2019 também se cumpriram os 30 anos do CaixaForum Lleida, os 15 do CosmoCaixa e os 5 do CaixaForum Zaragoza. Estabelecer acordos a longo prazo com as melhores instituições do mundo como o Centro Pompidou ou o British Museum, é uma das chaves do êxito do modelo de divulgação cultural e científica da Fundação ”la Caixa” através dos seus centros e da Coleção de Arte Contemporânea, que este ano foi exposta na Whitechapel Gallery de Londres.
“Aprender a ser, aprender a conhecer, aprender a fazer e aprender a conviver”. É o que deixou escrito Jacques Delors no “A educação encerra um tesouro”, o relatório da Unesco de 1996. O nosso projeto ProFuturo, que colocamos em marcha em 2016 junto com a Fundação Telefónica para reduzir a lacuna educativa através da tecnologia, beneficiou 10,3 milhões de crianças em todo o mundo Para 2030, estabelecemos uma meta: chegar aos 25 milhões. Faz parte da nossa contribuição para a Agenda 2030 das Nações Unidas. A nossa vontade: não deixar ninguém para trás.
Presidente da Fundação Bancária ”la Caixa”